quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

UM CONSULTOR HINODE NO RIO




Capitulo 1 — Líder Master

Tempos atrás, antes de estar aqui onde estou agora eu era um líder máster hinode que havia acabado de chegar na rodoviária de Niterói, não era minha primeira vez no Rio de Janeiro, mas estar no Rio é sempre a primeira vez. O plano era encontrar uma favela e vender hinode. Eu queria ser o maior vendedor de hinode do Brasil, queria ser líder imperial two diamantes.
Peguei um taxi e fui direto para o morro do estado, chegando lá já fui parado por dois seguranças do beco que começaram a gritar perguntando o que eu tinha na mochila, eu com as mãos na cabeça dizia —pô, relaxa ai cara, eu sou só um consultor hinode— os caras talvez nem sabiam o que era hinode e como hinode transformava a vida das pessoas, mas a jornada da ignorância é perdoada aos ignorantes, aos conhecedores da verdade cabe levar a luz (uma frase que ouvi do meu mentor hinode em uma palestra em Mogi das Cruzes). Os caras então me levaram até o dono do morro. Eu expliquei numa boa, disse que meu nome era Renato e que eu era consultor hinode. Comecei a explicar para eles as vantagens de ser um consultor hinode, que um lider imperial diamante ganhava R$ 60 mil por mês, uma land rover evoquer e uma viagem para a Europa. Os traficantes começaram a rir da minha cara, e eu só conseguia sentir ódio. Sabia que não devia sentir ódio dos ignorantes, mas era tão difícil controlar meus sentimentos naquela época. Quem me conheceu antes do budismo sabe disso, mas eu não aguentava mais as pessoas desacreditando das coisas que eu era capaz de fazer. Então eu fiz o que pude, eu peguei aquele ódio todo e transformei em combustível para os meus objetivos.
Assim, respirando fundo e focando nos meus objetivos eu consegui autorização do dono do morro para apresentar hinode para a favela.
Os traficantes me indicaram um barraco perto do escadão que estava alugando um quarto, era um lugar caindo aos pedaços, eu até quis ir embora, mas lembrei das palavras do meu mentor na palestra dizendo que dormia na rua antes de se tornar líder platina. Eu pelo menos tinha uma cama para dormir, respirei fundo outra vez e comecei a me preparar para o dia seguinte.
Como comentei antes, nessa época eu era budista (por conta da forte influência asiática na minha cidade natal acabei me convertendo). Eu sabia que existia um deus dentro de mim e eu estava em uma jornada para exterioriza-lo. Acendi minhas velas aromáticas, meus incensos de bons presságios e comecei minha meditação de ocaso.
No dia seguinte, antes mesmo do sol nascer eu já estava de pé, comi uma beterraba de café da manhã e tomei um suco de couve. Coloquei meus catálogos na mochila, peguei as amostras grátis e alguns cremes rejuvenescedores e óleos corporais que eu tinha para pronta entrega, coloquei tudo na mochila e sai.
A idéia era começar as abordagens no pé do morro e ir subindo aos poucos. Quando eu chegasse no topo eu —se o meu divino interior permitisse— chegaria ao último patamar de liderança hinode, o tão esperado posto de líder two diamantes.
Dei uma última ajeitada no cabelo enquanto descia os degraus do escadão, limpei a lente dos meus óculos e por fim estava no pé do morro. O coração disparado, suor pingando na testa, mas eu estava ali agora e precisava escalar a montanha do meu sucesso. Eu não iria desistir, afinal soldado que vai pra guerra e tem medo de morrer é covarde.


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